Revista do Farmacêutico 111 - Saúde Pública

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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 111 -ABR - MAI - JUN / 2013

Revista 111 setinha Saúde Pública

 

Farmácia universitária modelo

Farmusp é reinaugurada com a proposta de ser referência em assistência e atenção farmacêutica conforme diretrizes do SUS

Primeira etapa da Farmusp está pronta e atenderá pacientes encaminhados pela Comissão de Farmacologia da SES-SP  (Foto: Carlos Nascimento)
Primeira etapa da Farmusp está pronta e atenderá pacientes encaminhados pela Comissão de Farmacologia da SES-SP (Foto: Carlos Nascimento)

Um projeto inédito e inovador de farmácia-escola está sendo implantado graças a uma parceria entre a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP), Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. A Farmácia Universitária (Farmusp) foi reinaugurada no mês de maio com a proposta de ser uma referência nacional para o ensino, a pesquisa e a extensão à comunidade, nas áreas de assistência e atenção farmacêuticas conforme as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). A Farmusp está instalada no Centro de Vivência da Reitoria, Rua da Praça do Relógio, 74 - Cidade Universitária.

O projeto será implementado em duas fases. A primeira etapa, já entregue, inclui o Centro de Informação de Medicamentos (CIM), três consultórios farmacêuticos, área de recepção e acolhimento de pacientes e armazenamento de medicamentos. A etapa final, ainda em execução, contará com laboratórios de ensino e pesquisa em atenção farmacêutica, além da área para treinamento e capacitação de recursos humanos.

A Farmusp atenderá pacientes encaminhados pela comissão de farmacologia da SES-SP e irá receber da Secretaria todos os medicamentos que os pacientes necessitam. Seguindo o conceito de assistência farmacêutica integrada, o acompanhamento farmacoterapêutico será realizado em consultas pré-agendadas mensalmente e durante o período de um ano. Para tanto, três farmacêuticas realizarão a dispensação e o seguimento farmacoterapêutico em consultórios devidamente equipados.

Segundo a coordenadora e docente do departamento de Farmácia da FCF-USP e da Farmusp, dra. Sílvia Storpirtis, o projeto é inovador pois proporcionará aos alunos de graduação, pós-graduação e residência farmacêutica a integração a projetos que incluem o seguimento farmacoterapêutico de pacientes. “Este é o principal componente da atenção farmacêutica, colaborando com o uso racional de medicamentos, a geração de conhecimento por meio da pesquisa clínica fase IV e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes”, disse.

A especialista afirmou que, no contexto desse novo modelo, a pesquisa clínica fase IV corresponde ao levantamento de dados que inclui um grupo de pacientes com determinada enfermidade, segundo delineamento que prevê a dispensação de todos os medicamentos que os pacientes requerem. Serão avaliados o perfil farmacoterapêutico dos pacientes, a adesão ao tratamento e a efetividade da farmacoterapia prescrita.

“Nesse piloto, avaliaremos a efetividade da farmacoterapia prescrita ao paciente por meio do seguimento farmacoterapêutico realizado durante o período de um ano, o que vai gerar evidências sobre a efetividade do tratamento”, explicou a dra. Sílvia Storpirtis. Para ela, o modelo de assistência farmacêutica integrada, implantada no projeto, estabelece a dispensação de todos os medicamentos que o paciente requer e que atualmente tem muita dificuldade em receber devido à fragmentação da assistência farmacêutica no Estado de São Paulo.

A Farmusp não será aberta ao público em geral e não comercializará medicamentos. As atividades acadêmicas incluem a possibilidade de os alunos  desenvolverem dissertações de mestrado e teses de doutorado em projetos decorrentes das pesquisas clínicas fase IV, como também serão oferecidos estágios a alunos de intercâmbio da FCF-USP.

Além da dra. Sílvia Storpirtis, a coordenação do projeto conta com a participação da diretora executiva e farmacêutica responsável da Farmusp, dra. Maria Aparecida Nicoletti; dra. Elizabeth Igne Ferreira, professora-titular e vice-coordenadora docente da Farmusp; dra. Elfriede Bacchi, professora-titular e chefe do departamento de Farmácia da FCF-USP; e dra. Terezinha de Jesus Andreoli Pinto, professora-titular e diretora da FCF-USP. Pelo lado da Secretaria Estadual de Saúde, a nova Farmusp conta com a colaboração da dra. Sônia Cipriano, diretora do Núcleo de Assistência Farmacêutica (NAF-SES-SP); e dra. Karina de Oliveira Fatel, farmacêutica assistente do NAF-SES-SP.

Histórico

Esq. p/ dir.: dra. Karina de Oliveira Fatel, assistente técnica da NAF-SES-SP, dra. Sônia Lucena Cipriano, diretora técnica da NAF-SES-SP, dra. Sílvia Sorpirtis, coordenadora da Farmusp e docente e dra. Maria Aparecida Nicoletti, farmacêutica responsável pela Farmusp (Foto: Carlos Nascimento)
Esq. p/ dir.: dra. Karina de Oliveira Fatel, assistente técnica da NAF-SES-SP, dra. Sônia Lucena Cipriano, diretora técnica da NAF-SES-SP, dra. Sílvia Sorpirtis, coordenadora da Farmusp e docente e dra. Maria Aparecida Nicoletti, farmacêutica responsável pela Farmusp (Foto: Carlos Nascimento)

A Farmusp foi a primeira farmácia-escola do Brasil e iniciou suas atividades em 1970, no Bloco G do Conjunto Residencial da USP, conhecido como CRUSP. Integrou o Centro de Produção, Controle e Dispensação de Medicamentos (CPCDM), ligado ao Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Em 1974, em razão da grande demanda, viu a necessidade de ampliar seus serviços e, em 1977, foi transferida para o Centro de Convivência Setorial C3, local em que permaneceu por três décadas.

Implantou um modelo de atuação que incluía a dispensação e a manipulação de medicamentos, comercializando-os durante muitos anos, além de oferecer estágios aos alunos de graduação. Em 2008, houve a necessidade de reforma do espaço físico do Centro de Vivência e da própria Farmusp, o que obrigou a suspensão das atividades de atendimento ao público, de estágio e demais projetos.

Nesse mesmo ano, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicou a Resolução nº 480 que dispõe sobre os serviços farmacêuticos na farmácia-escola, pública ou privada. “Isso nos fez refletir sobre a necessidade de desenvolvermos um novo modelo de atuação para a Farmusp, de acordo com as diretrizes curriculares para os cursos de Farmácia, introduzidas pela Resolução nº2/2002 e alinhado ao projeto político pedagógico da FCF-USP. Assim, para construir e viabilizar o novo modelo, fomos buscar parcerias com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e o Hospital Universitário da USP”, disse a dra. Silvia sobre a necessidade de reformulação da farmácia universitária.

Carlos Nascimento

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