Fórum on-line destaca o papel do farmacêutico na segurança do paciente em ambientes não hospitalares

 

Abertura do Fórum foi realizada com as participações do Dr. José Vanilton de Almeida (GTT de Farmácia do CRF-SP); Dr. Marcelo Polacow (vice-presidente do CRF-SP); e pela Dra. Fátima Farhat (GTT de Farmácia Clínica do CRF-SP)Abertura do Fórum foi realizada com as participações do Dr. José Vanilton de Almeida (GTT de Farmácia do CRF-SP); Dr. Marcelo Polacow (vice-presidente do CRF-SP); e pela Dra. Fátima Farhat (GTT de Farmácia Clínica do CRF-SP)

São Paulo, 1º de outubro de 2021.

O CRF-SP promoveu nos dias 28 e 29 de setembro, em seu canal no YouTube, o Fórum de segurança do paciente em ambiente não hospitalar. O evento on-line foi uma realização dos Grupos Técnicos de Trabalho (GTT) de Farmácia, Farmácia Clínica, Farmácia Hospitalar, Saúde Pública e Cuidado Farmacêutico ao Idoso, e teve como objetivo debater o papel do farmacêutico e os impactos dos medicamentos na segurança do paciente e minimização dos riscos, a desospitalização, a jornada do paciente no meio hospitalar e não hospitalar no contexto da segurança e o gerenciamento de erro de medicação.

Na abertura, o vice-presidente do CRF-SP, Dr. Marcelo Polacow, ressaltou que o evento é resultado de um trabalho organizado a muitas mãos e que a segurança do paciente é uma demanda da Organização Mundial da Saúde (OMS), que há um bom tempo destaca a importância desse tema, sobretudo focado no ambiente hospitalar. “Agora, nós, farmacêuticos, levantamos a importância de também levar essa questão a ambientes não hospitalares, já que em unidades básicas de saúde, farmácias comunitárias, farmácias magistrais, enfim, todos os locais onde há pacientes é necessário se preocupar com a segurança do paciente”.

Para a coordenadora do GTT de Farmácia Clínica do CRF-SP, Dra. Fátima Goularte Farhat, que moderou os debates nos dois dias, é uma satisfação saber que o tema gera tanto interesse em diversas áreas de Farmácia. “Nos questionamos qual interesse em comum há na profissão farmacêutica e, então, entendemos que todas as áreas podem contribuir para a segurança do paciente. E, nesse sentido, por que não fazer o empoderamento do farmacêutico que trabalha nas farmácias, sejam ambulatoriais, comunitárias, públicas, privadas, em cima dos conceitos que envolvem a segurança do paciente com o objetivo de nos unir em prol dessa missão única? ”, questionou.

O coordenador do GTT de Farmácia do CRF-SP, Dr. José Vanilton de Almeida, também falou na abertura do Fórum. “A Farmácia Clínica é uma instituição que nasceu dentro do ambiente hospitalar e que aos poucos tomou espaço dentro das farmácias, com a regulamentação do consultório farmacêutico e das atribuições clínicas pelo CFF. No entanto, a questão da segurança do paciente ainda não saiu do hospital. Precisamos abraçar isso, é necessário que o colega que trabalha em uma drogaria, onde quer que ela se localize, se respalde com procedimentos que garantam a segurança do paciente”.

Dr. José Vanilton de Almeida e Dra. Fernanda dos Santos ZenaideDr. José Vanilton de Almeida e Dra. Fernanda dos Santos Zenaide

A primeira atividade apresentada foi a palestra ‘Farmacêutico, profissional indispensável no contexto da segurança do paciente’, apresentada pela Dra. Fernanda dos Santos Zenaide, que atua como Medical Science Liaison (MSL) na empresa Farmoterápica. Um dos dados demonstrados por ela apontam que, de acordo com a OMS, de um a quatro pacientes sofrem algum dano associado ou causado pelo cuidado em saúde, número que corresponde a 25% dessa população.

“Temos de nos colocar no lugar do paciente que entra na farmácia e recebe o medicamento e nos questionar se ele fará uso seguro. Por outro lado, como se sente também o paciente hospitalizado em um local onde diariamente ocorre pelo menos um erro de prescrição? Faço esse convite para que possamos tentar enxergar o paciente com os olhos dele e como gostaríamos de ser tratados nessa situação, em que estamos fragilizados”, instigou a palestrante.

Dra. Fernanda complementou: “Acredito que muitos dos problemas envolvendo erros de medicação poderiam ser evitados se tivéssemos um olhar mais cuidadoso ao paciente. Onde que o farmacêutico se encaixa nesse contexto? Certamente no de segurança do uso de medicamento, tratando os erros relacionados a medicamentos da melhor forma possível. Isso é presente em todos as áreas de atuação”. Os desafios desse processo, segundo a farmacêutica, passam pela farmacologia complexa, polifarmácia, envelhecimento da população e recursos limitados.

Dra. Carla Caroline da Silva, Dra. Fátima Farhat, Dra. Maria Gonzaga e Dra. Stephanie de Souza Costa VianaDra. Carla Caroline da Silva, Dra. Fátima Farhat, Dra. Maria Gonzaga e Dra. Stephanie de Souza Costa Viana

Na sequência, ocorreu a mesa-redonda ‘Medicamentos que impactam na segurança do paciente e estratégias na minimização dos riscos’. Uma das participantes foi a Dra. Carla Caroline da Silva, farmacêutica que atua no serviço público municipal de Osasco. Ela falou sobre medicamentos de alta vigilância/potencialmente perigosos.

São medicamentos que apresentam um risco aumentado de causar danos significativos ao paciente quando há falha na utilização. “Embora todos os medicamentos possam causar efeitos ou eventos adversos, quando se trata de medicamentos de alta vigilância, as consequências são mais graves, podendo levar o paciente à hospitalização e até provocar sequelas irreversíveis quando não os utiliza de forma correta”, explicou a ministrante.

No âmbito hospitalar, são exemplos de medicamentos de alta vigilância os eletrólitos, as heparinas, medicamentos concentrados em geral, dentre outros. Já na atenção básica, todas as insulinas são consideradas potencialmente perigosas, além da varfarina e os novos anticoagulantes.

“Precisamos buscar estratégias para minimizar esses eventos graves e melhorar a adesão, conversar muito com o paciente, questionar se conseguiu utilizar o dispositivo, como no caso das canetas de insulina que são exemplos clássicos nesse sentido. Sem o devido cuidado, certamente prejudicará a adesão e impactará o tratamento”, afirmou a Dra. Carla.

Os medicamentos look alike/sound alike foram foco da apresentação da Dra. Maria Gonzaga, professora-adjunta da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do conselho científico do Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP Brasil).

Ela detalhou dados levantados pelo ISMP que apontam que, no uso hospitalar e ambulatorial, um a cada três erros de medicação é causado por problemas de etiquetagem. “Já no uso hospitalar, a segunda causa de erro de medicação está relacionada a problemas como desenho, nome, etiquetagem ou embalagem”, disse a Dra. Maria Gonzaga, que demonstrou diversos exemplos de medicamentos com semelhanças de embalagem e rótulos, bem como os que têm nomes parecidos.

O debate também contou com a participação da Dra. Stephanie de Souza Costa Viana, vice-coordenadora do GTT de Cuidado Farmacêutico ao Idoso, que abordou os ‘Medicamentos potencialmente inapropriados ao idoso’.

A farmacêutica destacou o fato de que o aumento da expectativa de vida é acompanhado diversas vezes por doenças crônicas não transmissíveis. “Trata-se de uma população que pode apresentar diabetes e hipertensão, por exemplo, e que leva consigo as complicações associadas a esses problemas, e que além de tudo faz uso de polifarmácia”.

Segundo a farmacêutica, o uso de apenas um medicamento expõe o indivíduo a 10% de chances de apresentar reações adversas; o uso de ao menos de cinco medicamentos faz com que o idoso apresente 60% de chances de desenvolver interações medicamentosas. Esse risco se eleva a 82% quando são mais de sete medicamentos.

“Os eventos adversos a medicamentos são o tipo mais comum de consequências iatrogênicas e uma das prioridades na avaliação da segurança da farmacoterapia”, afirmou a farmacêutica, que lembrou que muitos dos eventos adversos nessa população são devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas ao envelhecimento.

“Somam-se a isso fatores como o declínio da função renal e hepática, modificações na composição corporal e aumento de sensibilidade ao efeito dos fármacos, além de que, é comum que essa população apresente resposta exagerada ao estresse e a estímulos”, completou a Dra. Stephanie.

Confira na íntegra o 1º dia do Fórum de segurança do paciente em ambiente não hospitalar: https://youtu.be/UaXDygLQZgs

 

Continuação dos debates

Dra. Naianiy Brito dos Santos; Dra. Fátima Farhat, Dra. Lívia Gonçalves Barbosa, Dra. Juliana Oliveira Candido e Dra. Natália Nabarro de AlmeidaDra. Naianiy Brito dos Santos; Dra. Fátima Farhat, Dra. Lívia Gonçalves Barbosa, Dra. Juliana Oliveira Candido e Dra. Natália Nabarro de Almeida

O segundo dia de programação foi iniciado com a palestra sobre desospitalização e a segurança do paciente, ministrada pela Dra. Natália Caldeira Nabarro de Almeida, coordenadora da Farmácia Nacional da empresa Pleno Saúde. Ela pontuou que o termo desospitalização significa ser liberado ou dispensar-se da internação hospitalar, passando a receber assistência ambulatorial e multidisciplinar e/ou domiciliar, visando a sua reintegração à sociedade.

“Desospitalizar não é uma opção, mas sim uma necessidade, devendo ser realizada de forma segura e como resultado de um processo completo, dando continuidade ao tratamento de forma ambulatorial ou no próprio domicílio”, disse a especialista, que falou também sobre o serviço de homecare. “A missão do homecare é compatibilizar e mobilizar os recursos disponíveis às necessidades e expectativas de três clientes (paciente e sua família, equipe médica assistente e a fonte pagadora), já que esse serviço é restrito ao âmbito da saúde suplementar”.

Para a Dra. Natália, cada um desses pacientes tem uma visão e uma percepção diferentes sobre o que é a atenção domiciliar, quais as possibilidades e os seus limites. “É imprescindível considerar a segurança dos serviços prestados e conhecer o nível de importância dos procedimentos clínicos ou das atividades de suporte a tais procedimentos.

Em seguida, ocorreu a mesa-redonda ‘A jornada do paciente no meio hospitalar e não hospitalar e o contexto da segurança’, iniciada pela Dra. Naianiy Brito dos Santos, membro do GTT de Farmácia Clínica da Seccional de Piracicaba, que abordou a transição do cuidado hospitalar e sua relação com a segurança do paciente.

“A transição de cuidados nada mais é do um conjunto de ações para a continuidade do cuidado na transferência do paciente entre diversos locais de assistência à saúde ou em diferentes níveis de cuidados em uma mesma instituição. Trata-se de um processo complexo, envolve planejamento de alta, conhecimento dos recursos do cenário de destino, orientação para o paciente e sua família e, o mais importante, a comunicação efetiva”, afirmou a Dra. Naianiy.

A mesa-redonda também contou com a apresentação da Dra. Juliana Oliveira Candido, farmacêutica clinica com experiência em geriatria, cuidados paliativos e consultório farmacêutico. Ela falou sobre o farmacêutico comunitário e sua importância na conciliação de medicamentos.

Dra. Juliana explicou que a conciliação medicamentosa é um processo em que se obtém por meio de uma lista de medicamentos que o paciente utiliza em domicílio, a partir da qual será avaliado, de acordo com a clínica atual do paciente, a necessidade de inclusão, substituição ou suspensão do tratamento medicamentoso.

“Isso pode ocorrer durante a internação ou ambulatoriamente, no momento da admissão, transferência e alta hospitalar”, detalhou. “Na minha experiência com geriatria, especialmente na atenção básica, é preciso estar atento à automedicação, já que muitos fazem uso de polifarmácia. Muitos têm dificuldade com as diferentes apresentações, posologias e é preciso rastrear essas informações. Muitos não foram educados para tirar dúvidas com o médico”, apontou a farmacêutica.

Por último, a Dra. Lívia Maria Gonçalves Barbosa, coordenadora de Farmácia Clínica do Hospital Sírio Libanês e que integra do GTT desta área do CRF-SP, ministrou a palestra ‘Erramos! E agora? Estratégias para abordagem e gerenciamento do erro de medicação para melhorar a qualidade da assistência’.

Em sua apresentação, a Dra. Lívia pontuou que o tema é muito abrangente e toda a sequência e abordagem apresentadas ao longo do evento apontam para uma cultura de segurança do paciente. “A segurança estará sempre muito atrelada a um contexto e a um cenário. À medida que os processos de segurança vão sendo incorporados nas organizações, os incidentes tendem a diminuir. Falar de segurança do paciente é um processo que ainda se encontra em fase de construção, mesmo no âmbito hospitalar, onde isso ainda não é uma realidade em todos os hospitais”, finalizou.

Confira na íntegra o 2º dia do Fórum de segurança do paciente em ambiente não hospitalar: https://youtu.be/BhrnStMceSM

 

Renata Gonçalez

Departamento de Comunicação CRF-SP

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