Revista do Farmacêutico 111 - Farmacêuticos de Atitude

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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 111 - ABR - MAI - JUN / 2013

Revista 111 setinha Farmacêuticos de Atitude

 

Farmacêutico gestor e clínico

Farmacêutico coorporativo de rede hospitalar referência em todo o país, dr. Romulo Mendonça Carvalho destaca aquecimento no setor

Dr. Romulo durante o evento Painel Visão Setorial, realizado pelo CRF-SP (Foto: Luiz Prado / Agência Luz)
Dr. Romulo durante o evento Painel Visão Setorial, realizado pelo CRF-SP (Foto: Luiz Prado / Agência Luz)

O papel do farmacêutico na gestão hospitalar se tornou assunto de destaque no setor de saúde, principalmente nos últimos anos. Cada vez mais, hospitais públicos e privados demandam profissionais que aliam questões clínicas às administrativas.

O farmacêutico corporativo da Rede D´Or dr. Romulo Mendonça Carvalho atribui à formação da Farmácia esse perfil tão requerido pelos hospitais. “O farmacêutico tem uma cabeça muito orientada para sistematização e processos, principalmente por causa da nossa formação industrial. Isso tem sido um diferencial para um mercado que praticamente não possuía foco nessa sistematização ou em processos, e agora precisa se estruturar dessa forma, vide as Acreditações Hospitalares”.

Dr. Romulo iniciou sua carreira em 2001 na Farmácia do Hospital Quinta D’Or. Logo após, foi promovido a gerente de Farmácia do Hospital Copa D’Or. Já em 2010, entrou também para a área acadêmica e tornou-se coordenador do curso de pós-graduação em Farmácia Hospitalar e Clínica na Universidade do Grande Rio (Unigranrio).

Inicialmente, dr. Romulo atuava em laboratórios de Análises Clínicas, mas logo percebeu que poderia aliar muitos dos seus conhecimentos mudando de área e escolheu apostar na carreira hospitalar. “Ao entrar na área pude perceber que, como farmacêutico hospitalar, poderia colocar em prática muitos dos conhecimentos aprendidos na universidade. Era então a área em que eu poderia me sentir mais completo como farmacêutico, tanto sob o ponto de vista da gestão quanto da clínica”.

Padronização

Um dos responsáveis pela implantação do Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose Unitária em mais de 20 hospitais, dr. Romulo participa atualmente da padronização e implantação do modelo de Farmácia Hospitalar na rede onde atua. Exemplo em todo o país, o sistema realiza a dispensação de todos medicamentos pela Farmácia Central a cada duas horas, inclusive com manipulação de injetáveis. “Meu maior desafio no momento é padronizar o modelo de gestão das Farmácias de toda a Rede”, conta.

Dr. Romulo é responsável pela implantação do Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose Unitária em sua rede, que realiza a dispensação de todos medicamentos pela Farmácia Central a cada duas horas (Foto: Diego Cervo / Panthermedia)
Dr. Romulo é responsável pela implantação do Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose Unitária em sua rede, que realiza a dispensação de todos medicamentos pela Farmácia Central a cada duas horas (Foto: Diego Cervo / Panthermedia)

Aquecimento

O mercado hospitalar se encontra em franco desenvolvimento. De acordo com ANAHP (Associação Nacional de Hospitais Privados), a saúde suplementar bateu recorde em 2012 com a marca de cerca de 50 milhões de beneficiários de planos de saúde e um faturamento total de mais de R$ 85 bilhões, o que reflete em todos os setores de saúde, inclusive para o surgimento de novas oportunidades nos hospitais privados.

Além disso, o Ministério da Saúde publicou recentemente a Portaria 4.283/2010 reconhecendo como áreas de atuação da Farmácia Hospitalar: a gestão, a distribuição e dispensação de medicamentos e produtos para a saúde, a manipulação e a unitarização de medicamentos, o cuidado ao paciente, a informação sobre medicamentos e outras tecnologias em saúde, além das atividades de ensino, pesquisa e educação continuada, ampliando as oportunidades para os farmacêuticos.

Outro fato determinante para esse crescimento foi o acórdão publicado em agosto de 2012 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou que todo hospital com mais de 50 leitos no Brasil deve obrigatoriamente ter a presença de farmacêutico responsável.

Dificuldades

A ascenção do mercado hospitalar ainda está longe de se encerrar. As oportunidades são inúmeras, mas ainda existem dificuldades para essa evolução. Entre os desafios, de acordo com dr. Romulo, está a consolidação da atuação do farmacêutico no setor.

“Costumo dizer que, a todo o momento, temos que mostrar o real valor do farmacêutico hospitalar. Nossa atuação profissional ainda não está completamente consolidada, ainda há muitos questionamentos que julgo importantes para que a cada dia possamos implantar bons processos que se revertam em bons indicadores do nosso trabalho”, destaca.

Além disso, os salários iniciais para a profissão normalmente não criam um atrativo para a área, já que o setor hospitalar é um dos que possuem o mais baixo piso salarial. “Essa questão do salário inicial é realmente um problema, mais especificamente para quem não tem experiência e está começando na área. Para os farmacêuticos com experiência, os salários, normalmente, acabam sendo bem mais atrativos”, relata o farmacêutico.

Mesmo assim, quem deseja se solidificar como farmacêutico hospitalar é importante estar sempre se atualizando. “O profissional que deseja trabalhar na área hospitalar precisa realmente de foco, justamente para se especializar nos dois eixos básicos da profissão hoje: Gestão e Clínica. São esses eixos que precisam de grande especialização e, sem um maior aprofundamento teórico e prático, dificilmente o farmacêutico conseguirá se consolidar na área”, alerta dr. Romulo.

Mônica Neri