Revista do Farmacêutico 111 - Técnica e Prática

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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 111 - ABR - MAI - JUN / 2013

Revista 111 setinha Técnica e Prática

 

Disfunção erétil

Farmacêuticos devem alertar sobre os riscos do uso recreativo dos medicamentos para tratar o problema. Dependência psicológica é um deles 

É fundamental que o farmacêutico certifique-se de que o paciente possui receita médica (Foto: Image Source / Latinstock)
É fundamental que o farmacêutico certifique-se de que o paciente possui receita médica (Foto: Image Source / Latinstock)

Há cerca de 15 anos no mercado brasileiro, os medicamentos para tratamento de problemas de disfunção erétil revolucionaram a vida de milhares de homens que eram incapazes de ter ou manter a ereção peniana. No entanto, por ansiedade, estresse ou apenas pelo desejo de aumentar a potência sexual, muitos recorrem a esses medicamentos por conta própria, sem orientação, o que pode acarretar riscos a médio e longo prazo.

Atualmente, três medicamentos podem reverter esse tipo de disfunção, por meio do relaxamento da célula muscular do tecido cavernoso. Todos agem na inibição da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5): Sildenafila (Viagra®); Vardenafila (Levitra®) e Tadalafila (Cialis®), mas se utilizados por um indivíduo saudável, sem necessidade, podem resultar na ocorrência de uma ereção prolongada e, com isso, gerar danos irreversíveis ao tecido erétil. Outro fator importante são os possíveis efeitos colaterais que costumam ser transitórios e de leve intensidade. Entre os mais frequentes estão: cefaleia, rubor facial, epigastralgia e congestão nasal. Já dor lombar e mialgia são mais frequentes com o uso da Tadalafila.

Como qualquer outro medicamento, a Sildenafila apresenta contraindicações. A mais conhecida é em pacientes com doenças cardíacas em uso de nitratos (isordil, monocordil, monoket e outros). A Sildenafila é vasodilatadora e, apesar de agir preferencialmente nos vasos do pênis, há também um aumento do óxido nítrico sistêmico, o que causa a redução da pressão arterial. Em pessoas saudáveis, esta queda é pequena e costuma ser assintomática, porém, o uso concomitante com medicamentos para hipertensão deve ser feito com cuidado.

Principais interações:
Sildenafila + nitratos (ex: isordil, monocordil, monoket) Aumento do óxido nítrico sistêmico e redução da pressão arterial
Sildenafila + doxazosin e terazosin (indicados para a hipertrofia da próstata) Redução da pressão arterial
Sildenafila + inibidores da PDE-5 (Vardenafila e Tadalafila) Não há potencialização da ereção e ainda existe elevado risco de toxicidade. Os inibidores da PDE-5 em doses altas podem causar AVE e hipotensões graves
Sildenafila não recomendado para:
Pacientes com insuficiência cardíaca e histórico de AVE(nos últimos seis meses)
Medicamentos que alteram o efeito da Sildenafila:
Eritromicina, cetoconazol, cimetidina, itraconazol, rifampicina, fenitoína, indinavir e ritonavir

Dependência psicológica

Além dos agravos à saúde, o consumo inadequado e sem necessidade dos medicamentos para disfunção erétil pode causar outro mal: a dependência psicológica. Com o tempo, um homem com atividade sexual normal só terá confiança para ter relações se o medicamento estiver acessível, ou seja, ele cria um vínculo emocional que prejudica a atividade espontânea.

Como profissional de saúde, o farmacêutico tem a responsabilidade de dispensar esses medicamentos apenas com prescrição, orientar o paciente sobre a posologia, horário, acondicionamento do medicamento e dirimir suas eventuais dúvidas.

Se o paciente não possuir receita, o farmacêutico deverá alertá-lo sobre os riscos do uso errado ou desnecessário, as contraindicações e interações, além de aconselhar a procurar um médico para avaliação, já que pode se tratar realmente de disfunção erétil ou algum outro problema de saúde.

Thais Noronha (com informações da assessora técnica do CRF-SP, dra. Amouni Mourad)

Fontes: Revista Associação Médica Brasileira, http://www.einstein.br, http://www.saudepedia.com.br, http://drauziovarella.com.br.

 

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