A busca por tratamento intensivo é a mais comum. Nesses casos, o paciente precisa de atendimento prolongado, com 22 sessões ao mês, nos Centros de Atenção Psicossociais (Caps). Em alguns casos, há a necessidade de internação. O tratamento intensivo representou, entre os anos de 2006 e 2008, 61,4% (25.669) dos procedimentos pagos pelo SUS. No período foram oferecidos 41.801 procedimentos, que incluem, entre outras coisas, sessões com psicólogos e psiquiatras.

Nos casos envolvendo crack, nem sempre o vício acontece da forma mais comum: primeiro a maconha, depois a busca por drogas cada vez mais fortes, chegando à cocaína e ao crack. Atualmente, a utilização do crack muitas vezes pula essas etapas, segundo a psiquiatra e diretora do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, Luizemir Lago.

É importante que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos. Desinteresse pelas atividades cotidianas, agressividade excessiva e perda de peso são alguns dos principais sintomas.

Desde o início do ano, está em funcionamento em São Paulo a primeira clínica pública de internação para adolescentes dependentes de álcool e drogas. Sediada em Cotia, na Grande São Paulo, a unidade é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde e o Hospital Samaritano.

O Projeto Jovem Samaritano, como é chamado, oferece 30 leitos de internação e tem capacidade de atender anualmente cerca de 120 adolescentes entre 14 e 18 anos de idade. A unidade conta com uma ampla sala de convivência para os adolescentes, sala de aula com computadores, quadra poliesportiva, horta para aulas de jardinagem, refeitório e ambulatório.

Adultos  

A Secretaria de Estado de Saúde inaugurou no final de março a primeira clínica pública para adultos dependentes em álcool e drogas do Brasil. A unidade funciona em São Bernardo do Campo, por meio de convênio da pasta com a Sociedade Assistencial Bandeirantes.

São 30 leitos, com período máximo de internação estipulado em um mês. A Secretaria irá repassar à unidade cerca de R$ 3 mil por paciente/mês. O projeto de atendimento foi desenvolvido pelo médico Ronaldo Laranjeira, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, que também ficará responsável pelo trabalho de orientação técnica e terapêutica da clínica.

O objetivo da clínica é oferecer um modelo voltado à desintoxicação, mas fora do ambiente de enfermaria hospitalar para o qual essas pessoas costumam ser encaminhadas. Cabe aos municípios realizar a triagem desses pacientes, verificando a necessidade de internação.