Clipping - 19/11/2009

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MEDICAMENTOS

 

GSK ajuda a desenvolver vacina contra vício do cigarro

19/11/2009 - Valor Econômico

 

Os fumantes poderão em breve deixar o hábito com uma vacina injetável que impede a nicotina presente no tabaco de chegar ao cérebro, onde ela cria a ensação altamente viciante de prazer.

A vacina NicVax chegou mais perto do mercado esta semana, após acordo firmado entre a GlaxoSmithKline (GSK) e a companhia de biotecnologia dos Estados Unidos Nabi Pharmaceuticals, que desenvolveu o produto.

 A GSK vai pagar US$ 40 milhões adiantados e até US$ 500 milhões no futuro para a Nabi, num momento de grande preocupação com as doenças relacionadas ao tabaco, que são uma das principais causas de morte no mundo que podem ser evitadas.

 O produto abre potencialmente uma nova frente na guerra contra o tabaco, uma vez que a maior parte dos produtos e métodos de combate ao fumo existentes hoje não conseguem impedir que muitas pessoas retomem o hábito de fumar.

 A vacina ajuda a criar anticorpos que se agarram às moléculas da nicotina, impedindo-as de passar da corrente sanguínea para o cérebro. Testes vêm mostrando que ela corta pela metade o número de pessoas que voltam ao cigarro, em comparação às pessoas que receberam placebo durante um período de seis meses. Aqueles que foram vacinados demonstraram uma probabilidade até 3,5 vezes maior de não retornarem ao cigarro depois de um ano.

 Jean Stephenne, presidente da divisão de produtos biológicos da GSK, disse: "Se for aprovada, esta tecnologia poderá ser um nova solução para ajudar milhões de fumantes que querem deixar o vício; hábito muito difícil de ser largado permanentemente, conforme já está bem documentado."

 A GSK citou pesquisa da American Lung Association de que a taxa de reincidência entre os fumantes pode chegar a 90% no período de um ano após eles terem parado de fumar. As vendas da linha de bandagens, gomas de mascar e outros produtos antifumo da associação caíram no ano passado.

 Este ano, as autoridades reguladoras americanas ordenaram alertas adicionais sobre o Zyban da GSK e o Champix da Pfizer, medicamentos contra o fumo vendidos sob receita, por temerem que eles possam ter desencadeado impulsos suicidas. Elas haviam se recusado anteriormente a autorizar a venda do Rimonabant da Sanofi-Aventis.

 As companhias farmacêuticas com vacinas contra o vício da nicotina em desenvolvimento, mas em estágios menos avançados, incluem a Cytos, a Celtic Pharma e a Independent Pharmaceutica.

 Sob os termos do negócio, a Nabi continuará bancando os testes finais que já estão em andamento, enquanto a GSK vai apoiar os testes futuros e a comercialização se os resultados forem promissores.

  

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO


A chave é a memória

19/11/2009 - Correio Braziliense

 

Pesquisador de Stanford descobre área específica do cérebro ligada às deficiências cognitivas de portadores da síndrome de Down. Experimento com medicamentos em ratos sinaliza que problema pode ser revertido em bebês

 Há mais de 100 anos, a ciência conhece a síndrome de Down, provocada por um defeito genético caracterizado por uma cópia extra do cromossomo 21. Os mecanismos do problema, porém, não foram completamente desvendados, o que dificulta a busca por um tratamento eficaz. Um estudo realizado na Califórnia, publicado ontem na revista especializada Science, mostrou-se bastante promissor ao descobrir uma nova área do cérebro ligada às deficiências cognitivas e de memória em portadores da síndrome. Para o principal autor, Ahmad Salehi, da Stanford University School of Medicine, é um passo importante rumo ao desenvolvimento de drogas que revertam o deficit de aprendizagem dos pacientes.

 Com uma equipe do Lucile Packard Children’s Hospital, considerado um dos melhores hospitais pediátricos dos Estados Unidos, Salehi procurou entender por que os portadores da síndrome têm dificuldades cognitivas. Já se sabe que as crianças com Down nascem com a capacidade de aprendizado normal, mas, com o passar dos meses, começam a perdê-la. Isso acontece porque uma das características do problema é a dificuldade do portador com questões que envolvem a memória. E lembrar o que foi aprendido previamente é requisito básico para alguém conseguir assimilar informações mais complexas. Ao esquecer, por exemplo, que 2 2 = 4, a criança não tem condições de calcular operações matemáticas mais elaboradas.

 De acordo com Salehi, os portadores da síndrome têm dificuldades em formar novas memórias, principalmente quando precisam usar informações ligadas ao espaço. Por exemplo, se estão andando por um shopping que nunca visitaram anteriormente, vão se perder com mais facilidade do que alguém que não possui o problema.

 Essa função de assimilação espacial está ligada ao hipocampo, região do cérebro localizada entre os dois lobos temporais. Por outro lado, os portadores não têm muita dificuldade para se lembrar de informações relacionadas a cores, sons e outros fatores sensoriais, porque esse tipo de memória é coordenado por outra estrutura do cérebro, a amígdala.

 Desafios

Mãe de Sofia, 4 anos, portadora de síndrome de Down, a psicopedagoga Gilza Bendita Rosa Silva, 49, conta que a menina começou, aos 40 dias de vida, a fazer estimulação cognitiva para desenvolver a capacidade de armazenar informações. Ela era colocada em contato com texturas, sons, cheiros e formas e, a partir dos 2 anos, passou a ser desafiada com jogos de encaixe e de memorização. “É um trabalho lento, mas muito interessante”, diz Gilza. Sofia estuda na rede regular de ensino de manhã e, à tarde, participa de atividades extras, como sessões de fonoaudiologia, equoterapia, psicomotricidade, natação e terapia ocupacional.

 Em casa, Gilza também procura estimular a memória da filha. “Pergunto sobre cores, sobre personagens, coloco bastante música”, diz. Quando era bebê, Sofia também participou de uma oficina de musicalização, na Universidade de Brasília. Apesar de todos os cuidados, porém, Gilza conta que as dificuldades cognitivas de Sofia ainda são grandes. “Ela não deixa de ter um deficit. Se for comparada às outras crianças da sala, está bem atrás. Mas ela já consegue formar frases e se relaciona muito bem com os coleguinhas”, diz.

 Metodologia

Durante três anos, o pesquisador se concentrou no estudo do hipocampo. Em laboratório, criou modelos de camundongos com a estrutura de três cromossomos 21. Salehi percebeu que o foco do problema está numa região chamada locus coeruleus, relacionada, entre outras funções, às respostas ao pânico e ao estresse. Nos ratos modificados geneticamente, os pesquisadores verificaram uma deterioração bastante precoce dessa área.

 Normalmente, à medida que a memória e as novas informações são formadas e processadas, o locus coeruleus envia para o hipocampo doses de norepinefrina, um tipo de neurotransmissor. Quando a estrutura está danificada, porém, a liberação da substância torna-se bastante deficiente. Os ratos que apresentaram o problema falharam em testes cognitivos simples, que exigiam deles atenção nas mudanças do ambiente. Quando os camundongos modificados eram colocados numa gaiola que desconheciam, por exemplo, eram incapazes de construir ninhos. Já os animais com os dois cromossomos normais conseguiam fazer isso facilmente.

 O problema dos ratinhos foi resolvido com uma rapidez que surpreendeu Salehi. Eles receberam as drogas L-Dops e xamoterol. A primeira transforma-se em norepinefrina em contato com o organismo. A segunda liga-se com os receptores do neurotransmissor. Em menos tempo que o pesquisador imaginava, apenas algumas horas depois de receberem a medicação, os camundongos começaram a construir seus ninhos. Ao examinar o cérebro das cobaias, Salehi notou que os neurônios responderam muito bem à substância.

 Ainda bebês

Para o médico, que investiga a síndrome de Down(1) há uma década, a pesquisa é um indicativo de que medicamentos administrados em bebês com o problema podem ajudá-los a reverter as deficiências antes que o locus coeruleus comece a se deteriorar. “Em meus 10 anos de pesquisa sobre a síndrome, concluí que, quanto mais cedo for feita uma intervenção, melhor poderemos corrigir os deficits relacionados ao aspecto cognitivo”, disse, em entrevista ao Correio.

 Ele lembra, porém, que os testes foram feitos em laboratório, e que ainda será necessário pesquisar se as mesmas drogas podem ter um efeito benéfico em humanos. O pesquisador alerta que esses testes ainda vão demorar. “Como os principais objetos da pesquisa serão bebês, precisaremos de um longo tempo e muito mais cuidado para testar as drogas”, diz.

 Salehi conta que o próximo passo de seu estudo é entender por que o locus coeruleus degenera na síndrome de Down. Para o PHD em neurologia Frances Wiseman, da University College London, embora a aplicação das descobertas em humanos ainda esteja longe de ocorrer, a pesquisa traz uma nova luz sobre a síndrome, à medida que relatou, pela primeira vez, a relação do problema com o locus coeruleus. “O resultado indica uma nova área cerebral que os cientistas podem se dedicar a estudar mais para entender melhor a síndrome de Down”, disse ao Correio (leia entrevista).

 1- Problema genético

A síndrome de Down é problema genético, mas não hereditário, decorrente da multiplicação do cromossomo 21. Em vez de um par, a pessoa possui três. Em decorrência da anomalia gênica, o portador tem uma série de sintomas, como deficit cognitivo, inclinação da fenda das pálpebras, tônus muscular diminuído, dificuldades na fala e pele na nuca em excesso, entre outros. Pesquisas já comprovaram que mulheres a partir de 35 anos têm mais chances de gerar filhos com a síndrome.

Promissora, mas ainda recente

 Pesquisador do Instituto de Neurologia da University College London, o médico Frances Wiseman foi convidado pela revista Science para comentar os resultados da pesquisa que sugere um novo tratamento para a síndrome de Down. Em entrevista ao Correio, ele diz que é cedo para afirmar que o estudo se reverterá em novas drogas, mas destaca a importância da pesquisa para a melhor compreensão da síndrome.

Existem atualmente outros estudos tão promissores quanto o desenvolvido pelo pesquisador Ahmad Salehi?

Há várias drogas, como as usadas no estudo do doutor Salehi, sendo estudadas para melhorar a cognição em modelos de laboratório. Essas drogas, como pentileneterazol e mematina, agem nos canais de íons do cérebro e modificam a transmissão dos sinais elétricos entre os neurônios. Os efeitos no tratamento em pessoas portadoras da síndrome de Down, contudo, ainda não foram reportados. Também existe outra droga, a donepezil, que tem sido administrada para os portadores, mas em testes de pequeno porte. Em alguns desses testes, não houve melhora no processo de aprendizagem ou memória. Outros estudos demonstraram pequenos progressos, principalmente quanto às habilidades de linguagem.

 A pesquisa do doutor Salehi pode realmente oferecer esperança aos portadores da síndrome ou ainda é muito cedo para se dizer isso?

O estudo demonstrou um progresso na memória de modelos de rato com síndrome de Down — embora seja muito excitante, é importante lembrar que ainda serão necessários ensaios clínicos para testar a segurança e a eficácia das drogas antes de tirar a pesquisa do papel. Além disso, a síndrome de Down é uma condição genética muito complicada e dificilmente apenas uma droga possa reverter completamente todos os problemas de aprendizagem e memória decorrentes dela. Cada nova descoberta oferece novas oportunidades para ajudar pessoas com a síndrome, mas não há garantia de que as drogas propostas no estudo realmente melhorarão esses processos.

 Qual aspecto da pesquisa o senhor achou mais interessante para a ciência?

A coisa mais importante a respeito das descobertas do doutor Salehi é que a pesquisa examinou uma parte do cérebro, o locus coeruleus, que ainda não havia sido completamente estudado na síndrome de Down. O resultado desse grupo de estudo não apenas sugere uma nova abordagem terapêutica, mas indica uma nova área cerebral que os cientistas podem estudar mais para entender melhor a síndrome de Down.

  

Estudo indica terapia para síndrome de Down

19/11/2009 - O Estado de S.Paulo

 

Remédios já disponíveis no mercado para tratar depressão e déficit de atenção poderão servir para diminuir os problemas de memória e aprendizado que costumam acompanhar o desenvolvimento de pessoas com síndrome de Down.

 É o que mostra um estudo publicado hoje na revista Science Translational Medicine. Pesquisadores nos Estados Unidos testaram os medicamentos em camundongos geneticamente modificados para desenvolver uma forma da síndrome própria de roedores 

 A alteração genética dificulta a memorização de informações contextuais e espaciais. Para seres humanos, isso pode significar um problema quando a pessoa conhece ambientes complexos como uma nova vizinhança ou um shopping center. Para as cobaias com deficiência, operações como a construção de ninhos são prejudicadas: ao ser transferido para uma nova gaiola, o animal não consegue adaptar o novo espaço físico.

 Tudo levava a crer que o problema estava restrito ao hipocampo, região do cérebro responsável pelas memórias espaciais. Em geral, pessoas com síndrome de Down possuem ótimo desempenho em testes relacionados à memorização de sensações visuais, auditivas ou olfativas, operação coordenada por outra região do cérebro: a amígdala.

 Para formar memórias no hipocampo, tanto seres humanos como roedores necessitam de um neurotransmissor chamado noradrenalina, produzido nos neurônios do locus coeruleus, outra região do sistema nervoso central. Os cientistas descobriram que, como nos humanos, as cobaias com síndrome de Down também apresentam um processo de degeneração no locus coeruleus, que prejudica a produção de noradrenalina.

 Para corrigir o problema, utilizaram remédios que promovem a produção de noradrenalina no cérebro. Poucas horas depois de receber os medicamentos, os camundongos já apresentavam um comportamento semelhante ao de outras cobaias. Ao serem transferidos para novos hábitats, realizavam um rápido reconhecimento e começavam a construir um novo ninho.

 "Ficamos surpresos com a rapidez do efeito das drogas", afirma Ahmad Salehi, principal autor do trabalho e pesquisador da Universidade Stanford. Mas ele sublinha que o efeito também cessava com igual rapidez quando o remédio era totalmente assimilado pelo corpo.

 Ele acredita que a existência de drogas já aprovadas, capazes de interferir na produção da noradrelina, poderá apressar os testes clínicos. Mesmo assim, preferiu não realizar nenhuma previsão de quando a terapia estaria disponível.

 A médica Carolina Funayama, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), comemora o resultado, mas recorda que serão necessários estudos para verificar possíveis efeitos adversos da medicação, como alterações na pressão arterial e problemas cardíacos.

 A fundadora da Associação Reviver Down, Josiane Mayr Bibas, afirma que qualquer nova notícia traz grande alegria para os pais de crianças com síndrome de Down. "Naturalmente, não há demanda para a cura", aponta Josiane. "Mas há grande interesse em qualquer novidade que possa trazer melhora nas condições de vida dessas crianças."

 

 Quem come pouco envelhece mais devagar, diz estudo

18/11/2009 - O Globo (on line)

 

As indústrias de cosméticos e as cirurgias plásticas tentam há anos retardar o processo de envelhecimento e o resultado nem sempre é confiável. Desta vez, cientistas da Escola de Medicina de Monte Sinai, em Israel, se debruçaram sobre a causa e descobriram que a dieta da pessoa pode ajudar a produzir efeitos protetores contra o envelhecimento e contra doenças.

 O estudo, conduzido pelo professor de Neurociência, Geriatria e Medicina Paliativa de Monte Sinai, Charles Mobbs, mostra como a restrição dietética e a alta ingestão calórica influencia nas respostas bioquímicas.

 Segundo o estudo, uma dieta de baixa ingestão calórica retarda o desenvolvimento de algumas condições ligadas à velhice, como o mal de Alzheimer, assim como o próprio processo de envelhecimento. Como é feita a restrição calórica - se há privação de gordura, proteínas ou carboidratos - não parece importar.

 - Não é uma questão de contar calorias ou de cortar determinados nutrientes, mas sim, como uma baixa ingestão de calorias impacta no metabolismo e interfere no estresse oxidativo. Uma dieta com alta ingestão calórica também vai acelerar o processo de envelhecimento - explica Mobbs.

 Segundo o especialista, a chave da juventude está em achar o equilíbrio.

 - Uma restrição de 10% poderá ser extremamente benéfica enquanto que uma de 80% poderá ser prejudicial - diz Mobbs.

 Segundo o estudo, a redução ideal seria de 30% no total de calorias ingeridas diariamente.

 

SAÚDE

 

País investiga acordo que impede acesso a remédio para hepatite B

19/11/2009 - O Estado de S.Paulo

 

A Secretaria de Direito Econômico (SDE) investiga as empresas farmacêuticas Gilead e GSK por indícios de divisão do mercado brasileiro no fornecimento de remédios de hepatite B. A suspeita de um acordo ilegal surgiu quando o Ministério da Saúde, interessado no uso do medicamento Tenofovir para hepatite B, sugeriu à Gilead que registrasse no País a droga também para tratamento dessa doença. O Tenofovir já era usado para aids. A Gilead alegou que um contrato com a concorrente GSK impedia o registro.

 Em e-mail enviado ao Estado, a americana Gilead reconheceu haver um acordo com a britânica GSK restringindo a venda do Tenofovir para hepatite. Ele teria sido fechado em 2002, quando a farmacêutica concedeu o direito de comercializar o Adefovir - também produzido por ela e indicado para hepatite - à GSK. É uma prática comum empresas concederem o licenciamento de seus remédios a outras farmacêuticas.

 O contrato traz cláusulas específicas sobre a venda do Tenofovir nos locais onde a GSK comercializa o Adefovir.

 A GSK Brasil informou que o contrato entre as duas empresas é global. "Em momento algum a GSK Brasil conversou com a Gilead e jamais houve pedido nosso em relação ao Tenofovir", informou, por e-mail, o gerente de comunicação cooperativa da GSK Brasil, João Domenech. Segundo ele, os acordos firmados pela empresa respeitam a legislação nacional.

 O Tenofovir é distribuído pelo Ministério da Saúde desde 2003 para pacientes com aids. A discussão sobre ampliação do uso do medicamento ganhou força neste ano, quando o governo decidiu rever o tratamento de hepatite B. Já registrado nos Estados Unidos e na União Europeia para pacientes da doença, o Tenofovir foi considerado como a melhor opção pela equipe brasileira que preparava o novo protocolo.

 Além de mais barato, ele traria um risco menor de pacientes desenvolverem resistência à droga, quando comparado a outros medicamentos - entre eles, o Adefovir. O remédio, no entanto, não poderia ser incorporado à lista se não tivesse esse registro na Anvisa.

 Em setembro, em reunião entre Anvisa e a Gilead, houve comunicação formal de que tal registro não seria feito por restrições contratuais. "Foi-nos explicado que a Gilead estava impedida de vender Tenofovir no Brasil para hepatite B", diz o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano.

 A Anvisa então fez uma autorização de extensão de uso - caminho legal para o uso do Tenofovir também para hepatite B. "A medida pretende garantir à população acesso a uma droga indicada por especialistas como de primeira escolha. Procuramos garantir mais qualidade, por menor preço." A Gilead informou que a decisão da Anvisa obrigou a empresa a procurar um novo entendimento com a GSK. A ideia é tentar encontrar uma saída dentro do contrato. Domenech negou os encontros.

 O procurador-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) - autarquia especializada em fiscalizar e apurar abusos de poder econômico -, Gilvandro Coelho de Araújo, afirmou que um acordo entre farmacêuticas para venda de medicamentos, por si só, não é ilegal. "Há uma série de variáveis que precisam ser avaliadas." Como, por exemplo, a possibilidade de substituir um remédio por outro, sem que haja prejuízo ou comprometimento na qualidade do tratamento.

 "Por vezes, uma eventual restrição à concorrência poderia ser compensada por outros elementos. É preciso verificar se a finalidade do acordo é legítima", diz o advogado especialista em direito da concorrência Túlio Egito Coelho. Para ele, se for comprovado o prejuízo à concorrência, as empresas podem ser penalizadas, mesmo em um acordo internacional. "O que importa é a ameaça à livre concorrência", completou. Procurada, a SDE não se manifestou sobre as investigações.

 ENTENDA O CASO

 2002: A empresa Gilead faz um acordo para que GSK licencie e comercialize o Adefovir, produzido por ela e usado para hepatite, em vários países

 2004: GSK Brasil recebe liberação para registrar e comercializar o Adefovir no Brasil

 2009: Já usado para tratamento de aids, o Tenofovir, da Gilead, é apontado por especialistas brasileiros como a melhor opção também para tratamento de pacientes com hepatite B

 2009: Governo procura a Gilead para que ela registre o Tenofovir na Anvisa para uso no tratamento de hepatite B

 Setembro de 2009: Em reunião na Anvisa, representantes da Gilead informam que acordo com a GSK a impede de fazer o registro

 Outubro de 2009: Anvisa autoriza extensão de uso do Tenofovir

 Novembro de 2009: SDE inicia investigação do acordo entre as duas empresas

 

Brasil pode testar vacina contra dengue em 5 anos

18/11/2009 - Portal R7

 

O Brasil quer testar a primeira vacina no mundo contra a dengue em cinco anos. Para isso, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou acordo com a empresa GlaxoSmith Klein para iniciar, em 2010, estudos para o desenvolvimento do imunizante. As pesquisas receberão 70 milhões de euros de investimentos.  

Carlos Morel, representante da Fiocruz, admite que não há garantias de que o resultado final seja a descoberta de uma vacina, mas acredita que as chances são grandes. "A luta contra a dengue é uma prioridade. Portanto, vale a pena a aposta que estamos fazendo", diz.  

Além do Brasil, o sudeste asiático também seria beneficiado com a nova vacina.  

 

Doença alimentar causa insuficiência renal

19/11/2009 - Folha de S.Paulo

 

Alerta vem de relatório americano que diz que intoxicações por alimentos podem provocar problemas graves em 3% dos casos

 

Em quase uma década, mais de 117 mil pessoas ficaram doentes e 64 morreram por doenças alimentares no Brasil, segundo ministério

 

As consequências das doenças alimentares podem ir muito além da diarreia e do vômito. A longo prazo, elas estão relacionadas a complicações como insuficiência renal, paralisia, convulsões e deficiências auditivas e visuais.

O alerta vem do Centro de Prevenção e Investigação de Doenças Transmitidas por Alimentos (EUA), que divulgou um relatório dizendo que 3% das vítimas das intoxicações alimentares podem ter graves problemas de saúde no futuro. O trabalho tem a parceria dos CDCs (Centros de Controle e Prevenção de Doenças).

No Brasil, mais de 117 mil pessoas adoeceram e 64 morreram entre 1999 e agosto de 2008 por doenças alimentares, segundo o Ministério da Saúde. Mas os especialistas dizem que os números são subestimados porque os sintomas dessas doenças costumam ser passageiros e, em cerca de 60% dos casos, não levam o doente a procurar um médico.

Nos EUA, onde o registro das doenças alimentares é muito mais eficiente, estima-se que 76 milhões de pessoas sofram um episódio a cada ano. Ao menos 325 mil são hospitalizadas e 5.000 morrem, segundo os CDCs. Metade das vítimas tem menos de 15 anos.

No relatório são citados os alimentos mais envolvidos em surtos de doenças nos EUA (amendoim, pimentão, carne moída e espinafre). A contaminação ocorreu durante a produção ou nos locais de venda.

Os micro-organismos responsáveis pelas infecções foram as bactérias Campylobacter, E. coli O157:H7, Listeria monocytogenes, Salmonella e o parasita Toxoplasma gondii.

A infecção pela bactéria Campylobacter pode causar a síndrome de Guillain-Barré, a causa mais comum de paralisia nos EUA. Também pode provocar artrite e infecção do coração. Já a E. coli O157:H7 pode causar a síndrome hemolítico-urêmica, que leva à insuficiência renal aguda, especialmente em crianças. A Listeria tem sido associada com infecções do cérebro e da medula espinhal.

A Salmonella também pode causar artrite reumatoide. E as crianças cujas mães tiveram toxoplasmose, causada por um parasita de origem alimentar, podem desenvolver retardo mental e deficiência visual.

"Não são apenas esses cinco agentes. Há mais de 200 outros, com diferentes tipos de consequência, e isso pode ser evitado se houver mais segurança alimentar", disse a pesquisadora Tanya Roberts, responsável pelo relatório.

Para Maria Tereza Destro, professora do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, é provável que no Brasil a situação seja semelhante à dos EUA, mas o problema é que não se consegue traçar a relação entre causa e efeito das doenças alimentares. "A gente deve ter muita doença acontecendo e não tem informação."

Segundo Destro, 6% das pessoas vítimas da infecção pela E. coli podem ter problemas renais crônicos. "As pessoas que têm infecção por Salmonella podem ter artrite reumatoide. É claro que, após dez anos, você não vai relacionar a doença à intoxicação alimentar."

Ela conta que essa relação da Salmonella com a artrite reumatoide surgiu após seguranças do papa João Paulo 2º desenvolverem a doença quatro anos depois de terem tido salmonelose (infecção pela Salmonella) durante uma viagem.

Segundo o clínico-geral Alfredo Salim Helito, do Hospital Sírio-Libanês, a intoxicação alimentar é associada aos sintomas clássicos -vômito, diarreia, febre e até hepatite A em pessoas não vacinadas. "Estaria mentindo se dissesse que, ao me deparar com um paciente com artrite, um quadro neurológico ou uma miocardite, pensaria em comida contaminada. Essa não é a primeira hipótese diagnóstica", afirma.

Ele diz que é possível, com um exame de cultura das fezes de um paciente, isolar um germe associado a problemas articulares, por exemplo. Mas, em sua prática clínica, os casos mais graves com que se deparou foram de botulismo.

  

Equilíbrio: O QUE AFETA A MEMÓRIA

19/11/2009 - Folha de S.Paulo

 

DEPRESSÃO

Além de o estado de apatia levar a um pior desempenho nas tarefas cognitivas, as alterações na atenção causadas pelo quadro depressivo fazem com que a pessoa não memorize bem informações recentes. As alterações nos neurotransmissores associadas à depressão teoricamente também podem interferir nos processos de memorização

 

ESTRESSE

Quando o estresse emocional se prolonga por muito tempo, causa o bloqueio da produção de novos neurônios e facilita a degeneração dos existentes, afetando a memória. Já o estresse transitório tem repercussão limitada, mas reduz a capacidade de concentração nas tarefas que estão sendo realizadas. Ele também provoca a liberação de maiores quantidades de cortisol, que afeta áreas do hipocampo associadas à memória secundária

 

MEDICAMENTOS

Alguns medicamentos, como os ansiolíticos, interferem na memória. Se as dificuldades relacionadas a essa capacidade forem muito marcantes, o médico deve ser consultado e o remédio, substituído. Medicamentos que causam uma diminuição temporária de atenção (por exemplo, anti-histamínicos) podem dificultar a memorização, mas o efeito é passageiro

 

SONO

Os estímulos recebidos pelo cérebro ao longo do dia se fixam durante o sono, que forma novas associações de neurônios. Dormir menos do que o necessário ou ter pequenos despertares prejudica a memorização. Distúrbios do sono também levam a deficits de atenção nos períodos de vigília; sem atenção,novas informações não são absorvidas

 

DIETA

O cozimento de carnes leva à formação de aminas heterocíclicas, as quais criam ligações irreversíveis com o DNA. O resultado é a degeneração acelerada das células nervosas, que se manifesta mais em idades mais avançadas, devido aos efeitos cumulativos. Quanto mais alta a temperatura do fogo, maior o efeito deletério, por isso grelhados e frituras não devem ser consumidos com frequência

  

Equilíbrio: O QUE AJUDA A MEMÓRIA

19/11/2009 - Folha de S.Paulo

 

MEMORIZAÇÃO

É possível treinar a memória para melhorar o desempenho. Os exercícios vão desde criar associações para se lembrar de uma informação (por exemplo, ligar uma imagem ao nome de alguém) até ler um livro sublinhando as informações mais importantes e revisá-las mentalmente horas depois

 

MANTER-SE ATIVO

O trabalho intelectual estimula a produção de novos neurônios. No entanto, a repetição diária de cálculos complexos não é tão efetiva. É preciso que a pessoa sustente um aprendizado ou a aquisição de novas habilidades (tal como o estudo de uma nova língua), ou o envolvimento com atividades criativas

 

EXERCÍCIO FÍSICO

A atividade física contribui para o bom funcionamento do sistema circulatório, favorecendo o fluxo de sangue e a oxigenação do cérebro. Estudos apontam que o exercício também promove novas associações neuronais, ajudando na preservação das funções cognitivas. Indiretamente, é benéfico por ajudar a controlar doenças (como as cardiovasculares) que são fatores de risco para distúrbios neurocerebrais

 

SAÚDE VASCULAR

Já foi dito que o que faz bem ao coração beneficia também a mente. É verdade. Estudos recentes mostram que o colesterol elevado na meia-idade aumenta o risco de Alzheimer na velhice. O desempenho das funções cerebrais está diretamente associado ao fluxo sanguíneo nessa região. Controlar o colesterol, que "entope" os vasos com gordura, e a pressão arterial ajuda a preservar as funções da memória e as cognitivas em geral

 

DIETA

A dieta rica em ômega-3, encontrado principalmente em peixes de águas geladas, fornece matéria-prima para a produção de novos neurônios. Além disso, o cozimento do pescado forma quantidades muito mais baixas de aminas heterocíclicas (substâncias que degeneram as células nervosas) do que o de outras carnes

 

SAÚDE VASCULAR

Já foi dito que o que faz bem ao coração beneficia também a mente. É verdade. Estudos recentes mostram que o colesterol elevado na meia-idade aumenta o risco de Alzheimer na velhice. O desempenho das funções cerebrais está diretamente associado ao fluxo sanguíneo nessa região. Controlar o colesterol, que "entope" os vasos com gordura, e a pressão arterial ajuda a preservar as funções da memória e as cognitivas em geral

 

LAZER CRIATIVO

Atividades de lazer que envolvem habilidades motoras (como artesanato) ou aspectos intelectuais (como ler livros ou ir ao cinema) levam à criação de novas ligações entre os neurônios. Isso cria novos "atalhos" no cérebro para as informações serem armazenadas e lembradas posteriormente. A aquisição de novos conhecimentos e habilidades aumenta a reserva cognitiva do cérebro.