
Fracionamento em debate em Campinas
Palestra organizada pelo CRF-SP em Campinas, ajuda
farmacêuticos a esclarecer dúvidas sobre fracionamento
Na última sexta-feira, 01 de julho, mais
de 150 farmacêuticos e estudantes de farmácia participaram
em Campinas, de uma palestra e um debate sobre um dos temas mais
importantes para o setor no momento, o fracionamento.
Dr. Dirceu Raposo de Mello, diretor-presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária, esclareceu os principais
pontos da RDC 135/05 no hotel Nacional Inn.
Também participaram do evento, dr. Álvaro Fávaro
Jr., presidente em exercício do CRF-SP, dra. Raquel Delfini
Rizzi, diretora tesoureira do CRF-SP, dr. André Luis Capriolli
Silva, diretor executivo de fiscalização do CRF-SP,
dr. Arnaldo Alves de Lima, coordenador da Seccional de Campinas,
além de Maria Elisa Bertonha representante do Secretário
de Saúde de Campinas.
Dr. Dirceu traçou um panorama do mercado farmacêutico
no Brasil. Atualmente há 55 mil estabelecimentos farmacêuticos
no Brasil, o que gera um faturamento de cerca de R$ 16,7 bilhões
ao ano. Em relação a indústria, as 48 multinacionais
no setor, detém 70% do mercado farmacêutico do país.
No Brasil, há um estabelecimento para cada 3,2 mil habitantes,
já em países como Noruega e Dinamarca há
uma farmácia para cada 20 mil habitantes.
A tabela abaixo mostra o consumo de medicamentos no Brasil. Cerca
de 15% da população que recebe mais que 10 salários
mínimos consome 48% da renda em medicamentos. Os que ganham
entre quatro e dez salários gastam 36%, já a maior
parte da população, 51%, que tem renda inferior
a dois salários mínimos, consome 16% da renda em
medicamentos. Dr. Dirceu afirma que cerca de 54 milhões
de brasileiros ganham menos de R$ 3 por dia, com isso, muitos
tem que escolher entre comer ou tomar remédio.
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População
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Renda
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Consumo
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15%
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r >10 SM
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48%
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34%
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4 < r < 10 SM
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36%
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51%
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r < 2 SM
|
16%
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Dr. Dirceu acredita que o fracionamento pode contribuir
grandemente para o uso racional dos medicamentos. Além
disso, seria uma política eficaz para ampliar o acesso
a população de baixa renda. Outra vantagem abordada
pelo presidente da Anvisa é que a medida pode evitar as
sobras de medicamentos, que de acordo com um levantamento do Instituto
de Defesa do consumidor, atualmente é de 20%.
Alguns pontos da RDC foram esclarecidos, como a adequação
das farmácias para realizar o fracionamento. O estabelecimento
deverá ter um ambiente exclusivo e visível ao consumidor
para a divisão dos medicamentos. Também deve ser
devidamente credenciado junto as vigilâncias sanitárias
locais e cumprir as normas de Boas Práticas de Manipulação
e de Dispensação.
O ato deve ser registrado com dados que possibilitem a rastreabilidade
na cadeia sanitária. Além disso, dr. Dirceu deixou
bem claro que o fracionamento é uma prática exclusiva
do farmacêutico e mediante prescrição médica
e odontológica, só ele é o profissional habilitado
para fracionar. Ele alerta ainda que medicamentos sujeitos controle
especial (tarja preta) e em formas farmacêuticas não
contempladas na resolução não podem ser fracionados.
Dr. Dirceu também traçou um paralelo com o fracionamento
nos Estados Unidos. Praticado há mais de 20 anos no país,
o sistema utilizado se diferencia do que será aplicado
no Brasil. Nos EUA, o medicamento sai em grande quantidade da
indústria, e é embalado um a um na farmácia.
Para o mercado farmacêutico brasileiro, o medicamento já
sairá da indústria na embalagem fracionada. A medida
é para evitar riscos sanitários, além do
grave problema da falsificação.
O fato de ainda não haver muitas farmácias credenciadas
para o fracionamento também foi abordado por farmacêuticos
que estavam presentes. Dr. Dirceu disse que o fato
era esperado, já que depende de uma série de adequações,
inclusive por parte da indústria, que fornecerá
as embalagens já fracionadas. A própria Anvisa ainda
vai estabelecer as estratégias de acesso e promoção
do uso racional de medicamentos, além de disponibilizar
a lista de medicamentos fracionáveis.
Para finalizar, dr. Dirceu pediu a colaboração de
todos os farmacêuticos para que o fracionamento se torne
uma realidade. Ele acredita que se os farmacêuticos tiverem
consciência do seu papel, o fracionamento ajudará
na qualificação dos estabelecimentos e será
um grande ganho para a saúde pública.
CRF-SP cria grupo para discutir fracionamento
Um grupo de estudo coordenado pela dra. Raquel Delfini
Rizzi, diretora tesoureira e pela dra. Priscila Nogueira Camacho
Dejuste, vice-coordenadora da Seccional de Marília, foi
criado para orientar os farmacêuticos em relação
ao fracionamento. O grupo está criando folders e cartilhas
de orientação para a população e para
o farmacêutico. O coordenador e os membros da Comissão
de Farmácia, dr. Pedro Menegasso, dr. Rodinei Vieira Veloso
e dr. Benedito Andrei Soares, também integram a equipe.